quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Reinações e Considerações - Parte I

A cadeira em que o assessor imaginário se escorou
Os tópicos a seguir contemplam situações que vivi nos últimos dias.

Aparando as unhas
Esta é uma historinha proveniente das tradicionais andanças de ônibus. 
Dia desses eu estava feliz, bem-humorada e agradecendo aos céus por ter um ônibus fofinho para voltar para casa. Escolhi um banco vazio à direita do corredor. Até aí tudo bem. Daí um casal resolveu ocupar o banco da frente. Até aí tudo bem também. Subitamente, ouço um barulhinho desagradável: tec, tec, tec. Achei que jamais presenciaria tal cena no ônibus, mas tive de aguentar firme: a guria resolveu podar as unhas em pleno coletivo. Era lasca voando pra tudo quanto é lado. E o tec, tec, tec. Gente, cadê os modos? Quanta falta de capricho! Se ainda fosse uma reles cidadã mal-instruída eu daria um desconto. Só que se tratava de uma universitária.

Marília-ninguém

Meu namorado recebeu o convite de um casamento. O destinatário é: “Conrado e namorada”. Leia-se: Conrado e acessório. Entrei em crise existencial desde então. NOT. Como assim, não sabem quem eu sou?
Obs.: Eu ia aproveitar o ensejo para fazer um comentário maldoso, mas vou poupá-los. Só porque sou uma pessoa de alma caridosa.

Sobre ver o desconhecido

Dia desses sonhei com um assessor de imprensa que nem conheço. Só sei que eu estava pedindo uma informação sobre uma pauta real. Ele respondeu:
- Pode ser que eu demore para te responder. Sou eu que cuido de tudo por aqui (disse, sentado em uma cadeira e projetando-se para trás).

Sobre rever amigas
Situação A:
- Oi, Marília.
- Oi. Tudo bem? (O tudo bem saiu automático, incluo isso nos meus ois automaticamente).
E surge uma antiga colega/amiga apenas quatro meses mais velha do que eu. Ela está casada e tem um bebê. Não invejo essa vida. Guardo uma mágoa antiga da criatura. Não lembro direito por que deixei de falar com ela, mas também não tenho motivos para reatar uma amizade destruída pelo tempo.

Situação B:
Cheguei na rodoviária e, como de costume, fui trocar meu vale por uma passagem. No trajeto entre o guichê e o poste onde sempre me escoro, avistei uma guria que julguei ser uma ex-colega e amiga muito próxima. Só que ela estava diferente. Eu não a via há três anos! Como eu podia saber se era ela? Não costumo reconhecer as pessoas fora do contexto. Ao invés de ir perguntar se era ela mesmo, dei meia volta e virei as costas. Nisso, o ônibus chegou. Essa foi a minha desculpa: o embarque. Me arrependi de não ter conversado. We used to be very close. 

Natal

- Ih, já tem pinheirinho. Tá na hora de ir ao culto de novo.
A frase é do meu tio, mas serve para todos aqueles que, assim como nós, vão à igreja uma vez por ano, muitas vezes obrigados pela família. Não que eu me orgulhe disso, mas sinto que estou vivendo um dèjá vu todos os 24/12. A mesma palavra, as mesmas canções, enfim. Acho que se tu preservas uma crença não precisas necessariamente provar para a sociedade e tentar dar uma de boa moça/bom moço só porque o período exige solidariedade, empatia e sentimentos similares a esses.

A autora adverte: existe a presença de altos níveis de ironia nesse texto. Portanto, não leve tudo ao pé da letra.

2 contribuições sarcasticamente irônicas:

Anônimo disse...

Existem altos níveis de ironia nestes textos... e eu acrescentaria: veneno destilado. Rsrsrsrs

Cris disse...

Marília. Apelido: Má. Hauhauahuaha
Delícia de texto, mesmo sendo sobre gente sem noção e afins. É bom saber que mais pessoas passam por situações absurdas. Sinto-me reconfortada. Não tem jeito, o negócio é encarar, ou fingir que não viu, ou desabafar no blog.
P.S.: Que foto e legenda perfeitas!

Postar um comentário

Go ahead.