terça-feira, 19 de julho de 2011

O dia em que minha tática (in)falível falhou

A vida de quem anda diariamente de ônibus consiste em mais ou menos no seguinte: compartilhar o mesmo ar com outras 49 pessoas, aturar manias, suportar odores de procedência duvidosa e joelhadas durante o caminho inteiro, encarar a falta de privacidade... Esse último fator me faz desejar, todos os dias, um banco para ocupar sozinha. Essa terça-feira teve cara de segunda: ônibus praticamente lotado. Embarquei e procurei um assento mais afastado, supostamente livre de possíveis intrusos. Calmamente peguei meu mp3, desenrosquei os fones de ouvido e apertei play no meu rock matinal. 
 
Tudo parecia estar nos conformes quando, antes de sair da cidade, o coletivo parou. Havia uma mulher querendo embarcar. Pensei: “putz!”. Coloquei minha bolsa e um casaco no banco ao lado e fechei os olhos para fingir que estava dormindo. Esperei alguns segundos e, antes de abrir os olhos, senti alguém colocar a bolsa no meu colo. “Merda!”, avaliei. Se não me falha a memória, havia outros poucos bancos disponíveis. Insatisfeita com a insolência, virei pro lado e puxei meu casaco, sobre o qual a criatura já estava praticamente sentada. Invoquei demônios, tamanha era a minha irritabilidade. Fiquei o caminho inteiro com a cabeça virada para a janela, o que resultou em um breve torcicolo. 
 
 
 
 
Quando o ônibus parou em Vera Cruz, município que antecede meu destino de todos os dias, um sorriso contido começou a brotar em minha rica face de trakinas. No entanto, o desespero voltou a tomar conta de mim antes que minhas covinhas ousassem aparecer. Avistei, no corredor, um vovô e sua netinha. “Era só o que faltava para completar minha jornada”, esbravejei em silêncio. Não deu outra: ambos foram se acomodar justamente do meu lado. O vovô sentado e a guria na frente dele, tagarelando. Estávamos entre TRÊS num banco. 
 
Quem me conhece sabe que não morro de amores por crianças (Dia desses um piá passou o caminho inteiro cantarolando e se pendurando no meu banco). Na verdade, me falta paciência. Dei-me conta, por fim, que minha técnica – supostamente infalível – é falha. De qualquer sorte, querer um assento individual é pedir demais? Quem aí concorda? Preciso descobrir novos métodos para repelir pessoas. 
 

4 contribuições sarcasticamente irônicas:

Thamires disse...

Eu costumo sentar no banco do corredor! Geralmente funciona, mas já aconteceu de o ônibus estar lotado e alguém pedir para eu pular para o banco da janela para dar lugar. Odeio!

Anônimo disse...

HASDUDHSUASDHADUASDHASDUASHU bem feito demonha, não tem jeito.. vai aguentando alguem do teu lado, ou vai no bagajeiro! To imaginando tua cara de tolerância.. morri!

Anônimo disse...

Já dei minha sugestão: leva teu cachorro para ficar do banco do lado. Infalível, se conseguires entrar no ônibus.
Otto

*Raíssa disse...

Também odeio ser obrigada a andar de ônibus. Não nasci pra essa vida!
Essa tática da mochila só funciona quando o ônibus está vazio. O que já notei é que as pessoas não gostam de sentar na frente, gostar de ficar lá pra trás do ônibus, então eu sento na frente e no banco do corredor. Geralmente, sou sempre a última opção, mas há exceções. Se os lugares disponíveis foram ao lado de homens e eu for a única mulher com lugar disponível do lado e entrar um homem no ônibus, ele vem sentar do meu lado, afinal não quer ficar perto de outro macho. ¬¬'

Beijos!

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