Chegará o dia em que eu entenderei os autores de algumas novelas. Ou melhor, chegará o dia em que eu entenderei os telespectadores e sua passividade mental.Peguemos o exemplo de “Caminho das Índias”, da Rede Globo, que até o cachorro e o papagaio assistem. Por que raios essa novela é tão legal, tão bem-aceita? Por onde você passa, vê uma multidão de pessoas idolatrando Caminho das Índias e andando como se fossem zumbis escravizados, em coro dizendo: “ARE BABA!”. Todo mundo usando paninhos transparentes no pescoço, perfume com fragrância que lembra a índia, pedras, colares, aquele adesivinho colado na testa e proferindo uma série de expressões das quais muitas vezes nem se sabe o significado. Isso tudo tem nome, minha gente: A-L-I-E-N-A-Ç-Ã-O! E a pobreza indiana? E os cadáveres depositados no Rio Ganges? Sujeira? Imundice?
Pela milésima vez, no ar uma novela totalmente reciclada. E o pior: genérica, manipulada. Não pense que proponho mudanças ou estou aguardando um milagre audiovisual – enquanto houver algum intere$$e nesse tipo de produto “cultural”, tudo na mesma. E quando um produto dá certo, aparece cada caroneiro! As empresas entram no clima e dizem amém – futuro garantido de Caminho das Índias nas telinhas.

[Espero ser abduzida até essa nobre esculhambação acabar.]






